quarta-feira, 10 de abril de 2013

Prove que você não é um robô!


Contrariando a regra farei um post diferente, mas nem tampouco fora dos objetivos do blog.

O pensamento desta postagem foi elaborado e publicado nos comentários da postagem anterior "Esse carro não é para o papai!..." pela Renata Correia Costa. Uma geógrafa de 23 anos muito ligada em filosofia. Um exemplo de vida, de empenho e dedicação na profissão que escolheu. Minha irmã querida e inspiradora.

O interessante do pensamento desenvolvido por ela foi o fato de ser a base de qualquer campanha ou criação publicitária. Quando entendemos e conseguimos aplicar o conceito atingimos o ser humano no inconsciente, tendo um acesso temporário na mente dele, podendo levar coisas boas e/ou ruins.


"Hoje escutei uma professora dizer que a principal característica que faz um animal se tornar humano é a curiosidade. Logo, só somos humanos porque temos a necessidade de conhecer o desconhecido... é aí que nasce o mito, a explicação para o inexplicável, a resposta dos por quês. A nossa carapaça, ou seja, como nos mostramos para o mundo, é reflexo do nosso SER interior, e é nele que moram os mitos, ou melhor, é nele que os mitos nascem, crescem, tornam-se fortes e, por fim, são concretizados e lançados ao mundo exterior.
Quando o Homem descobriu a força do mito, foi achada a chave que pode abrir caminhos para a construção ou para a destruição. A mídia encontrou essa chave. Ela "fechou" as portas da curiosidade e "abriu" as janelas da admiração. Abrir uma porta significa ter que caminhar para dentro ou para fora, mas a janela serve para apenas olhar. Os mitos, as ideias, as atitudes são agora pré-estabelecidas. Todos pensam, agem, comem, vestem e dirigem as mesmas coisas, é claro que cada um no seu quadrado... rico de um lado, classe média do outro, e os pobres por entre as brechas... mas o fato é que não somos mais levados a refletir, apenas a comprar, fazer, ter, e por aí vai. O ser humano está deixando de ser HUMANO, está se tornando um robô pré-programado, e quem tem o código-chave é a mídia!"


Depois que ela escreveu o raciocínio acima e apertou "enviar" apareceu a seguinte mensagem: PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ. Ela se assustou e pensou "na possibilidade de uma mensagem subliminar" direta para ela. Fato muito engraçado que a fez rir.

O ser humano, assim como se alimenta dia a dia para manter o corpo em perfeitas condições de saúde, também alimenta sua alma para ter perfeitas condições mentais. Vejam só algumas citações que tratam o assunto:

"E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome (espiritual), e quem crê em mim nunca terá sede (espitirual)." Versículo de João 6:35 - Bíblia Sagrada.

"As mitologias nos ajudam em nosso equilíbrio espiritual, moldam a nossa vida, e nutrem nossa alma". RANDAZZO, 1997, p.58.

"A força do mito e dos símbolos está na sua capacidade de romper a nossa armadura intelectual, para chegar à nossa alma." RANDAZZO, 1997, p.82.

Temos mais autores que tratam o tema, entre eles Jung e Campbell que vale uma consulta.

Se você reflete um pouco no assunto começa a entender a manipulação das massas. É interessante trazer um assunto deste à tona? Com certeza as marcas não farão isso, mas se você quer criar as melhores campanhas para as melhores marcas, com certeza o domínio deste assunto é requisito básico.

Portanto, sabendo que o ser humano precisa alimentar sua alma, então vamos oferecer a comida espiritual. Oferecendo está comida "a publicidade criadora de marcas forja um vínculo emocional entre a marca e o consumidor", segundo Randazzo (1997, p.54), ou seja, você acha que através dela tem toda a sua fome saciada. De fato ela não saciou sua fome, mas forjou a sensação.

Uma mitologia de marca de sucesso fecha "as portas da curiosidade", fazendo com  que "as janelas da admiração" sejam sua única fonte de alimento. Da janela você só recebe a informação, mas não questiona, não entra no ambiente do qual está a janela em que você é espectador e discute se está certo ou errado.

Decidir como usar esse conhecimento é responsabilidade de cada um. Podemos cultivar robôs programados para comprar, ou não. Quer ver?
Na prática, será que precisamos trocar de celular à medida que um novo modelo é lançado?
Precisamos ter mais de 250 canais à disposição em nossa TV?
A festa só fica legal mesmo se tiver a bebida alcoólica do momento?

Repare que possuindo os objetos das perguntas acima vamos nos satisfazendo interiormente. Mas, será que a satisfação é plena?

Há uma onda bem interessante do consumo consciente. Você acredita nela? Você acredita no aprecie com moderação? Claro que não acredita porque 99% de uma propaganda de bebidas alcoólicas é sobre quem você se torna com minha marca e 1%, daquele jeito que você acelera a voz e fica bem estranho, é sobre o consumo moderado.

Há estudos para se tirar as propagandas de bebidas alcoólicas da TV, assim como aconteceu com o cigarro, mas isso não acabará com a publicidade das marcas, só as obrigará a procurar um novo caminho para chegar às almas novamente.

Sabe porque o emprego dos publicitários ainda está garantido nestas condições? A publicidade não acaba, mas procura novos meios. Será que a TV continuará sendo o principal meio criação de mitos nos próximos 10 anos? Ela já não é o meio principal. As campanhas têm de ser Transmídia, senão o resultado não atinge o esperado.

Seja como for, o foco continuará sempre sendo a alma do homem e quem entende isto só precisa indicar um novo meio para acessá-la novamente.




Rezinha, gostaria de agradecer sua contribuição fantástica, minha querida irmãzinha. Eu me orgulho demais de você e sei que você vai longe. Sou seu fã!


Emerson Correia Costa

3 comentários:

  1. Eu sou sua fã!
    Muito bom o post... "viajante" hehe

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  2. Segue devaneio para enriquecer seu belo post!
    Me lembrei de um documentário sobre o filme Star Wars, onde o tema mito é colocado como essência na construção da história. Nesse documentário, George Lucas confessa que é um discípulo de Campbell e que a saga usa dos mitos, recriando antigas histórias de uma maneira diferente.
    Há um trecho muito interessante, onde George Lucas explica o que são os mitos tratados no filme, fiz uma tradução livre aqui:
    "Os mitos tentam mostrar o seu lugar (o lugar das pessoas). Os mitos o ajudam a ter a sua própria saga de herói... a encontrar a sua individualidade e o seu lugar no mundo, mas eles também devem lembrá-lo que você faz parte de um todo... e que você deve fazer parte da comunidade e pensar no bem da comunidade acima do seu próprio bem"...

    Esse pequeno trecho me fez lembrar de várias propagandas que usam esses conceitos! e você?

    Quando vem o próximo artigo?

    Abs,
    Antonio

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  3. Já que você perguntou se eu lembro, lá vai: ITAÚ (grande novidade). Se tem marca que entende de engajamento é esta. "O Itaú apóia suas iniciativas". Seja um herói e estaremos juntos. Claro que com taxa de juros e prazos de pagamentos, mas essa parte não precisa citar.

    Antonio, mais uma vez muito obrigado pelo apoio e participação. o próximo virá amanhã e estou querendo cutucar.

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